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Este é o 1º livro a ser escrito em Portugal sobre a Dança Oriental.
Editado em Junho de 2004, “Dança Oriental” de Maria João Castro, é um livro de divulgação que pretende esclarecer e clarificar os conceitos intrínsecos a esta dança, ao mesmo tempo que dá um enquandramento da dança na história, na música, enfatizando as técnicas que a caracterizam.
Este livro não pretende ser um trabalho definitivo que invoque todo o imenso mundo da Dança do Oriente; é antes uma busca, um pequeno contributo, para clarificar ideias, conceitos e acima de tudo, ajudar a dar um outro ponto de vista dignificando esta arte milenar...
“O que me motivou a escrever este livro, foi a possibilidade de dar a conhecer um tema tão vasto e fascinante como é o universo da Dança Oriental. Não basta somente saber o modo como se dança, mas também entender a cultura de onde a dança provém, o motivo da sua existência, bem como o significado desta expressão pela população que a criou. Tendo incorporado diversos estudos, creio ter apurado o melhor que pude absorver de cada um. Espero que este livro tenha contribuído de alguma forma para esclarecer e clarificar algumas noções acerca desta dança, o seu significado real e intrínseco, ao mesmo tempo que ajude a devolver a respeitabilidade merecida pois ele é o resultado de um empenho sério.”
Índice do livro
Extratos
Da Introdução: Nos seus 7 mil anos de história, a Dança sofreu variadíssimas influências, movendo-se num universo que busca a beleza e o bem-estar interiores. A Dança do Oriente como é conhecida hoje, é o resultado da miscigenação e integração de várias culturas que formaram as primeiras civilizações através dos tempos. Quando se fala de Dança do Oriente a maior parte das pessoas parte do princípio de que esta dança se resume a um amontoado de movimentos soltos e melosos cujo único objectivo é alegrar as vistas masculinas. Jamais se associa o termo a uma dança que traz consigo séculos de sabedoria, ensinamentos que nos chegam pelo movimento, pela música, pela sensibilidade acrescida em relação ao nosso corpo.
Da Terminologia: No antigo Egipto, não há indícios de uma nomenclatura apropriada para designar a dança. Parte-se do princípio de que foram os árabes que ao divulgarem-na por todo o oriente, apropriaram-se dela e lhe deram o nome de Racks que deriva do assírio Rakkadu e que significa “celebrar”. Em cada região a Dança do Oriente recebeu um nome: no Egipto é chamada de Raks El Shark, ou Raks Sharky que significa “Dança do Leste” ou "Dança Oriental"; na Grécia é chamada de Chiftitelli, que também é um ritmo grego/turco; na Turquia é chamada de "Rakkase" ou "Gobek Dans" e no mundo ocidental é mais conhecida como Belly Dance, Dance du ventre, Danza del Vientre ou Dança do Ventre. A tradução literal para estes mesmos nomes é “Dança do Leste” ou “Dança do Oriente” que, para os árabes é facilmente identificada entre as muitas formas de dança existentes no mundo oriental. Para os ocidentais este termo torna-se muito genérico pois Dança do Oriente é também a Dança Indiana, a Turca, a Persa, a Chinesa, etc.
Da História: O movimento pictórico designado por Orientalismo estava unido pela temática, uma vez que não existia uma união estilística. O que mais chamou a atenção dos europeus foi a paisagem, os haréns, os lugares santos, a vida quotidiana e os episódios de guerra, que eram em tudo diferente da Europa. Os artistas foram atraídos pelo exotismo que surge como algo desconhecido, algo proibido que acaba com a banalidade quotidiana. De 1830 a 1920 os pintores por toda a Europa fascinam-se com esse mundo desconhecido. A "Era Orientalista" tornou-se, ao fim ao cabo, numa influência da cultura árabe sobre a produção artística ocidental. Mas este retrato todo, em especial o da mulher oriental não correspondia à realidade: os pintores e retratistas da época dificilmente podiam entrar nos haréns e casas senhoriais particulares para retratar as mulheres e muito do que se produziu foi baseado em relatos de terceiros e da própria imaginação dos pintores.